Uma confluência poderosa: entenda o “jogo” da Baleia Azul

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Através de vários meios de comunicação, temos nos deparado com notícias de uma série de comportamentos suicidas que estão ocorrendo em vários estados do Brasil. Trata-se de um “jogo” intitulado “Baleia Azul”, no qual os participantes, em sua maioria adolescentes, devem no decurso do “jogo” executarem tarefas que colocam suas vidas em estado de grande vulnerabilidade, física, emocional e mental. A título de conhecimento, algumas das fases consistem em assistir várias horas seguidas de filmes de terror, ouvir mais de cinquenta músicas psicodélicas ininterruptas, automutilação corpórea, sendo a retirada da própria vida a última e mais importante das fases para ser o grande “campeão” da jogada.

Na obtenção de uma visão clara e coerente do que está ocorrendo, é importante que entendamos a origem de toda a história, que teve seu início em março de 2016, na Rússia. Uma “fake news”, ou seja, uma notícia falsa, afirmou que mais de 130 adolescentes haviam cometido suicídio após participarem de um “game”, através de uma rede social. Acontece que está notícia falsa gerou o que chamamos de “efeito contágio”, ou seja, quando a publicidade de um comportamento suicida serve de estímulo para novos comportamentos suicidas.

            Compreende-se, portanto, que não estamos diante de uma ferramenta que é instalada no celular ou no computador do seu filho(a), como um jogo qualquer. O que ocorre é que encontramo-nos frente à uma forte e rápida disseminação de ideias autodestrutivas, por meio das redes sociais, sendo a mais comum o Whatsapp. Através da rede social os adolescentes se inserem em grupos, onde são enviados, de maneira imperativa, os comportamentos de risco que devem ser executados.

Grupos de disseminação de ideias de automutilação e suicídio não são novos em nossa sociedade, há tempos isso existe. O que desenrola-se é que estamos diante da confluência de duas ferramentas muito poderosas: as redes sociais e a mente adolescente.

No ciclo vital da adolescência o ser humano possui uma visão de riscos de vida ou morte muito racional e pouco emocional, ou seja, nesta fase o adolescente detém plena consciência que pode se machucar, ficar doente e até mesmo morrer, no entanto, isso encontra-se muito evidenciado no campo da racionalidade e pouco no emocional. Estamos diante da fase da “síndrome do super-herói”, da pseudonipotência. Isto é, o adolescente sabe que andar em alta velocidade com o carro, é potencialmente perigoso, mas mesmo assim ele opta em correr, pois a sua própria morte encontra-se distante.

Quando cito acima a confluência de duas ferramentas poderosas (mente adolescente e redes sociais), possuo o intento de dizer que o “jogo” da Baleia Azul reflete muito bem está linha do desenvolvimento dos adolescentes, uma vez que o mesmos encontram-se “motivados”, por milhares de pessoas, numa rede social a continuarem acreditando que possuem “superpoderes” suficientes para concluírem as fases de autoextermínio e saírem ilesos.

Diante deste cenário, torna-se necessário, sem distinção, que pais e mães observem, de maneira mais sistemática, os comportamentos dos seus filhos adolescentes. Estejam atentos a qualquer mudança brusca. Dialoguem! Abram espaços saudáveis de discussão com seus filhos. Acolham todo e qualquer tipo de dor, auxiliando no que estiver ao alcance ou encaminhando para profissionais competentes quando necessário.

A adolescência é uma das belas fases do desenvolvimento humano. É nela que desenvolveremos muitas de nossas potencialidades, no entanto, é uma etapa que precisa de muito apoio, compreensão e principalmente amor por parte dos responsáveis, afinal, um amor que acolhe e respeita é, sem dúvida alguma, maior e mais forte que qualquer “Baleia Azul”.

 

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