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Especial Folha

São Paulo registra uma média de 23 desaparecidos a cada dia

O Portal  inicia nesta segunda-feira uma série com a publicação de casos de desaparecidos para tentar ajudar na localização dessas pessoas

O desaparecimento de um familiar provoca sentimentos piores até mesmo do que a morte. A definição é de Ivanise Esperidião da Silva Santos, que tem uma filha desaparecida desde 1995 e ajudou a criar a Associação Mães da Sé, que auxilia famílias nesta situação.

“Quando você enterra um filho, você vive o luto. Nós, no entanto, não enterramos. Nós vivemos a dor da incerteza. Não sabemos o que aconteceu com eles e isso é pior”, afirma Ivanise.

Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) registrou no primeiro semestre deste ano 4.168 ocorrências de desaparecidos e 5.135 de encontro de pessoas, uma média de 23 desaparecimentos a cada dia.

Nos últimos anos, dados da SSP mostram uma queda no número de desaparecidos e também de encontros. Em 2015, 8.849 pessoas desapareceram, contra 26.612 encontros. No ano seguinte, 7.259 casos de desaparecimento contra 23.832 encontradas. Em 2017, 7.099 sumiços e 11.733 achados. No último ano, 6.839 ausentes e 12.776 reencontros.

O Portal  inicia nesta segunda-feira uma série de reportagens em que expõe casos de desaparecidos, a fim de cumprir a função social do jornalismo e contribuir com a sociedade. Conheça, a seguir, o primeiro caso da série, o de Cleberton Felipe de Souza Gonçalves:

O jovem, de 24 anos, mora há dois anos em Santa Cruz das Palmeiras, município a 250 km da capital paulista. “Foi para trabalhar na lavoura”, conta a mãe Acione Souza Rabelo, que é estudante. “Ele estava tentando uma vida melhor, com mais oportunidade. Conseguiu o trabalho e estava bem”, diz.

Acione conversava todos os dias com o filho. Em algumas vezes, o papo se desenrolava por uma chamada em vídeo, para “poder matar um pouco a saudade”. A rotina, no entanto, se encerrou no dia 20 de junho deste ano. “Ele me mandou um áudio dizendo que estava com febre e gripado, consequência do clima, mas que estava bem e perguntou como nós estávamos”, recorda sobre a última vez que conversou com o filho. “Depois nunca mais ouvi a voz dele. Nem o rostinho”, diz, com a voz embargada.

Moradora de São Miguel do Guamá, no Pará, Acione viu suas mãos ficarem atadas. “Eu não consegui ir até a cidade onde ele morava para procurá-lo, porque eu não tenho condição”, conta a estudante, que registrou boletim de ocorrência de desaparecimento de seu filho nas polícias paraense e paulista. Até agora, nenhuma resposta.

“O homem que deu trabalho para ele disse que a última vez em que viu o Cleberton ele estava com escoriações, braço quebrado e sobrancelha raspadas. Eu só quero ver o meu filho. Quero olhar para ele e ver se está bem. Estou em angustia eterna”, diz.

Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Cleberton Gonçalves deve entrar em contato com a associação Mães de Maio, pelo telefone (11) 3337-3331.

Caso note estranheza na situação de um familiar, saiba que não é preciso esperar 24 horas para realizar o boletim de desaparecimento – você pode ir imediatamente em qualquer delegacia.

A mãe que ajuda a achar os filhos dos outros

Ivanise Esperidião da Silva Santos, da Mães da Sé
EPITÁCIO PESSOA / ESTADÃO CONTEÚDO

Diabetes, infartos, depressão, paradas cardíacas e stent são problemas que Ivanise Esperidião da Silva Santos conhece bem. Mais precisamente a partir do dia 23 de dezembro de 1995, data que viu, pela última vez, sua filha Fabiana.

À noite daquele dia, a adolescente saiu para ir a casa de uma amiga a fim de parabenizá-la pelo aniversário, a poucos metros de sua residência, em Pirituba, na zona norte de São Paulo. Não demorou muito para Ivanise tomar conhecimento de que sua pequena, aos 13 anos, não voltaria para casa. “Eu fiquei desesperada, porque a minha filha sempre teve bom comportamento. Ela tinha me dito que ia dar um abraço na colega e ia voltar para casa, mas nunca voltou”, lembra.

Desde então, as buscas, sob seu comando, continuam. Mas a força motora que a moveu, agora move milhares. Foi a partir do desaparecimento de sua filha que Ivanise se juntou a outras mães que também tiveram seus filhos desaparecidos para lutarem juntas contra o sumiço de entes queridos.

Desde 1995, as mães se reúnem, quinzenalmente, nas escadarias da Catedral da Sé, no centro da capital paulista – daí o nome, Mães da Sé, uma associação com mais de 5 mil mulheres que visa além da busca daquele que não está mais presente, mas também o ombro, amor e força. “Somos emanadas pela mesma dor, pelo mesmo objetivo, pela mesma resposta – seja ela positiva ou negativa”, resume.

A associação Mães da Sé encontrou, desde sua fundação, 4.952 pessoas que estavam na condição de desaparecidos. “Traz alegria, traz força e traz amor. É isso que nos move. Por isso, não desistimos”, diz.

Fonte: R7

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Especial Folha

Desemprego no Brasil: Como o candidato pode se destacar numa entrevista de emprego em um cenário competitivo

Cuidados como pesquisar a empresa e falar assertivamente sobre si mesmo garantem maior possibilidade de contratação

No primeiro semestre de 2019, o desemprego no Brasil atingiu 12,3% da população, uma média de 13 milhões de pessoas, segundo dados da PNAD (Pesquisa Anual por Amostra de Domicílios Contínua).

Com um cenário cada vez mais competitivo, é preciso estar bem preparado para se sobressair numa entrevista de emprego. A pergunta é como causar uma boa impressão.

 “Quando entrevistamos candidatos, percebemos que muitos deles sequer pesquisaram informações básicas sobre a empresa contratante. Isso, em nossa análise, é notado como desinteresse pela vaga”, Gabriela Mative, Gerente da Divisão Middle (que trabalha cargos de média e alta gestão) dLuandre, consultoria de RH com 49 anos de atuação no mercado, que atende 200 das 500 maiores empresas do Brasil.

Ela explica que uma das primeiras etapas do processo seletivo é a entrevista com o recrutado. Essa é a porta de entrada para a companhia em que o candidato deseja trabalhar. Neste primeiro contato, é que se decide quem segue em frente na seleção. “Numa entrevista com alto número de concorrentes, além do discurso sobre suas qualidades e experiências anteriores, o profissional precisa demonstrar interesse genuíno e isso fica claro pela pesquisa”, afirma Gabriela.

Abaixo, cinco dicas fundamentais para ganhar essa concorrência:

Por onde começar
Assim que receber a ligação ou o e-mail com a convocação para a entrevista é importante reservar um tempo para pesquisar a empresa. Os dados mais relevantes podem ser buscados com um simples clique, no site, nas redes sociais e até em reportagens. A internet é uma grande aliada nesta busca.

 O que pesquisar
Os principais tópicos sobre o futuro empregador são: área de atuação, tempo em que a empresa está no mercado e seu cenário atual. Com essas informações, o candidato está preparado para fazer perguntas relevantes, como plano de carreira e cultura da empresa. “Não costumamos solicitar que o candidato pesquise sobre o estabelecimento, então, caso ele chegue com essas informações, saberemos que é determinado e proativo” diz Gabriela.

O que dizer em causa própria

Não basta saber o currículo, tem de saber como falar sobre si próprio. “Honestidade é chave”, diz Gabriela. Ela orienta a explicar sobre habilidades e competências e ainda apontar como elas podem ser relevantes para o cargo em questão, além de se mostrar disponível para o aprendizado.

 A pergunta que não se esperava

Poucas pessoas estão preparadas para a questão “por que você quer trabalhar nesta empresa”. Sem problemas, há como fazer isso. Gabriela aconselha a procurar no site a missão e os valores da companhia e entender de que forma seu pensamento está alinhado com eles.

 Dress Code

Por fim, não custa lembrar que roupas muito informais, como regatas, bermudas e chinelos, nunca pegam bem, não importa o cargo que o candidato esteja pleiteando. Roupas sóbrias e formais sempre geram uma melhor primeira impressão.

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Especial Folha

26 de julho: Dia de quem tem muita história para contar

Avô cria vinho especial para comemorar chegada do primeiro descendente

O Dia dos Avós, 26 de julho, este ano tem um sabor mais que especial para o casal Cintia e Olivardo Saqui, donos do restaurante e adega Quinta do Olivardo em São Roque. Comemoram a chegada do primeiro neto e, para festejar essa data, Olivardo desenvolveu um vinho feito com uvas Tannat que traz no rótulo o nome do descendente: Henri.

A vida desse casal tem um enredo que começa pela infância do empresário, filho de boia fria, que veio de uma família muito pobre. Sempre vivendo modestamente, era empregado em uma vinícola de São Roque, e se viu desempregado em 2007.

Com 3 filhos pequenos para criar e sem perspectiva de emprego, Olivardo caiu em depressão. A luz chegou quando estava assistindo um programa de tevê e ouviu uma frase da escritora Clarice Lispector: “Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer”.

A mensagem foi o incentivo que ele precisava para correr atrás do sonho de ter a sua própria vinícola e consequentemente dar uma guinada na sua vida. Com determinação e coragem, decidiu vender os únicos bens que tinha, a casa própria e o veículo, para adquirir o sítio Abaçai na Estrada do Vinho, em São Roque. Foi o primeiro passo ousado para a concretização do sonho.

Com a propriedade comprada, começou a plantar os primeiros pés de uva e enquanto esperava a tão desejada colheita, arregaçou as mangas e iniciou a comercialização de produtos dos fabricantes da região como: suco de uva, queijo, etc.

Três anos após a compra da propriedade, o primeiro vinho ficou pronto para ser comercializado e o sabor e qualidade do produto fabricado pela Quinta começou a se espalhar pela região. Mas os visitantes sempre pediam algo para acompanhar o vinho, e o caderno de receitas da avó portuguesa, herdado pela esposa do empresário, trouxe os segredos de um bolinho de bacalhau que é um dos carros chefes da casa.

A partir daí os pratos lusitanos começaram a acompanhar os vinhos e o casal ampliou o cardápio da Quinta.

Atualmente a Quinta é uma referência da gastronomia lusitana, principalmente do mais nobre e conhecido ingrediente dessa cultura, o bacalhau. A casa possui um cardápio com inúmeros pratos.

Uma curiosidade: o primeiro pé de uva que foi plantado na propriedade mantém-se no local e serve de resgate da memória do dia em que tudo começou, “um sonho, uma parreira e uma história para contar” diz Olivardo, que quer contar essa e muitas outras histórias para as suas próximas gerações.

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