Riscos da desidratação no idoso

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“Água que nasce na fonte serena do mundo/ E que abre um profundo grotão / Água que faz inocente riacho/ E deságua na corrente do ribeirão”. (Planeta Água- Guilherme Arantes)

Que país maravilhoso o nosso, que em grande parte da sua extensão temos água em abundância, brotando e jorrando por ribeirões e permitindo o plantio, a colheita e nossa sobrevivência.

Bem verdade que muitas regiões brasileiras sofrem com a seca, escassez de água, líquido fundamental para nossa sobrevivência.

Podemos ficar sem comer por longo período de tempo. São vários os relatos de pessoas que, por escolha própria ou acidente extremo, ficaram em jejum prolongado e sobreviveram para contar a história. O recorde oficial é de mais de 50 dias.

Agora, ficar sem água é outra história! Nós perdemos em média cerca de 2 a 2,5 litros de água por dia. Perdemos na urina, fezes e suor, sendo que em dias quentes podemos perder o dobro disso.

De acordo com o médico fisiologista Dr. Renato Lotufo, em entrevista a revista Superinteressante (2016), ele disse que quando sentimos sede é porque já tivemos uma perda de 1% a 2% do nosso peso perdido em água: “Quando essa taxa passa de 5%, a pessoa começa a ter sérios comprometimentos clínicos”, afirma o médico.

Ao longo da vida, passamos por vários ciclos (como infância, adolescência, gravidez e lactação) em que mudanças fisiológicas específicas caracterizam cada fase. No idoso, essas mudanças fisiológicas incluem alterações sensoriais, neuroendócrinas e do sistema digestório, que podem impactar diretamente a nutrição adequada do indivíduo.

Nessa fase da vida, qualquer carência nutricional pode ter rápido efeito nas funções corporais e em nossa qualidade de vida.

Um dos cuidados nutricionais mais importantes com a pessoa idosa é a sua manutenção hídrica, ou seja, ingesta adequada de líquido.

Dentre as alterações sensoriais no envelhecimento está a hipodipsia, que é a diminuição do número e da sensibilidade de receptores corporais responsáveis pelo controle da sede.

A glândula que regula esse controle da sede se chama Hipotálamo, localizado em áreas na base do cérebro. Ele tem o tamanho de uma ervilha, mas é responsável por alguns comportamentos muito importantes para o indivíduo, como o controle da temperatura corporal, emoções, fome e também a sede.

Desta forma, podemos entender que o idoso sente menos sede. Mesmo que seu corpo esteja precisando de água. Por isso, essa faixa etária é mais propensa a desidratações.

No Brasil, a desidratação é um dos dez motivos mais comuns de hospitalização de idosos, ou seja, ficar desidratado leva a prejuízo das funções normais do corpo pela falta de água no organismo, causando sérios riscos a saúde.

Dentre os sintomas da desidratação, o idoso pode experimentar as tonturas, diminuição da produção de urina, pressão arterial baixa e até desenvolvimento de infecção do trato urinário.

Se a desidratação persistir, sinais severos podem ocorrer, como cãibras musculares graves, confusão mental e perda de consciência.

Quantas situações do dia a dia do idoso podem ficar comprometidas com o aparecimento da desidratação, podendo causar quedas, desequilíbrios, desorientações espaciais, bem como processos emocionais negativos como a apatia, depressão e falta de apetite. Um desastre!

Para idosos, recomenda-se o consumo de 6 a 8 copos de água por dia, em intervalos de 2 em 2 horas, gerando uma ingesta de aproximadamente 2 litros diários.

Além da água, sucos, chás, água-de-coco, vitaminas e sopas, pode-se acrescentar na dieta frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, ajudando a manter o corpo hidratado.

Se necessário, como dica prática, pode-se colocar o despertador para tocar a cada duas horas para lembrar o idoso de que tem que tomar água.

O corpo humano é formado por 89% de água, moramos no planeta água e vivemos nesse país lindo por natureza! Se Deus é brasileiro, eu não sei, mas a nossa água é uma dádiva Divina e temos que nos aproveitar disso.

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