Folha Regional

Por pessoas profundas

Profundidade assusta, eu sei. Viver aqui, na superfície das coisas é bem mais seguro e confortável, também acho. Por vezes não me permiti mergulhar em águas mais profundas e nem todas as vezes que me permiti posso dizer que era tudo maravilhoso lá embaixo.

Viver uma vida rasa é uma escolha, que por muitas vezes irá parecer a melhor escolha. Viver na superfície te garante estabilidade, clareza das coisas, oferece pouco ou quase nenhum perigo. A superfície tem luz e como não sabemos o que tem lá embaixo, parece uma bela vista para nossos dias. O mundo está cheio de pessoas que vivem assim e vivem bem, ostentam sua felicidade nas redes sociais e na roda de amigos, tem tudo que precisam para uma vida tranquila e estão sempre no centro das suas atitudes.

Não cabe a mim julgar, mas eu gosto de profundidade. Quando você decide que a superfície é muito pouco para você, as pessoas começam a te achar maluco. Maluco ou ponto de você mesmo começar a duvidar de você, mas não pare! Mergulhe mais… as coisas começarão a perder a clareza, você começará a ter que deixar bens e hábitos para trás e vai doer. Então é hora de mergulhar mais… Algumas atitudes suas passarão a te incomodar, você começará a se questionar de tudo que fazia sentido até agora e vai ter que escolher entre mergulhar um pouco mais fundo ou regredir. Infelizmente muitos decidem regredir pois seguir a diante exige uma mudança de postura, seguir a diante as vezes fará com que você se sinta sozinho. Seguir não é para muitos! Exige muito autoconhecimento e resiliência. Exige força, por isso acredito que pessoas profundas são fortes e raras no mundo em que vivemos.

Quando você decide viver intensamente e profundamente a vida que o Universo te proporcionou você passa a entregar os próximos movimentos na mão do Criador. Não é possível viver a profundidade querendo ter o controle sobre tudo, se privando de sentimentos que as vezes vão te destruir, outras vezes te revigorar.

Eu pensei muitas vezes em regredir, mas a superfície é pequena demais para mim. Aqui no fundo eu aprendi tanto sobre os outros e sobre mim. As coisas e hábitos que eu deixei para trás não fazem falta e deram lugar para o novo. Nesse mergulho eu me conheci, aprendi a ser forte sem perder a fragilidade que recebi do Universo, aprendi a respeitar os ciclos da vida e as escolhas dos outros. E aqui no fundo eu sei que só está comigo quem também decidiu mergulhar.

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Bianca Waideman

Bianca Waideman

Bancária, publicitária e especialista em marketing

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