Pergunta do dia: por que não?!

Desde de pequenos aprendemos o significado da palavra não. Não pode isso, não pode aquilo, não faça isso, não seja assim, não, não e não. Mas tenho reparado que com o passar dos anos perdemos nosso censo crítico. Quando crianças sempre rebatemos o não com uma pergunta célebre: por que não? Não aceitamos assim, logo de cara, qualquer não que a vida nos dá. Mas ao crescemos enraizamos essa cultura do não e damos e recebemos vários “nãos” sem questionamentos.

Quando pequenos temos coragem para encarar um não como um desafio e transformá-lo em um sim, ou no mínimo queremos entender de verdade o significado daquele não. Muitos chamam isso de curiosidade e talvez seja. Mas será então que com o amadurecimento deixamos de ser curiosos? Eu diria que não.

Ao meu ver, estamos perdendo nossa capacidade de expressar nossas vontades e aceitando aquilo que vem fácil. É mais fácil! Sem objeções e senso crítico não temos a capacidade de indagar – mas por que não? E isso causa uma alienação do ser humano. Perdemos a coragem de enfrentar as negatividades que nos são impostas com a nossa opinião.

Eu, Bianca, não posso vestir qualquer roupa pois não pega bem. Por que não? Eu não posso gostar de funk, isso não é coisa de menina educada. Por que não? Eu não posso mudar o mundo, esse mundo não tem mais jeito. Então me diz, por que não?

Quando pequena, eu e minha mãe ouvimos de um médico a seguinte frase – sua filha não passa de um ano de idade. E acho que foi nesse momento que aprendi a questionar qualquer não que me é imposto. Mesmo pequena, eu objetivei minha vida em dizer aquele médico – por que não? E hoje posso ver claramente o valor dessa questão na minha vida.

Aceitar o não é necessário muitas vezes, respeitar o não, entender o não. Mas nunca deixe de questionar – por que não? Essa questão move nossa vida e nos faz entender nosso verdadeiro sentido na terra. Quando aceitamos um não sem nos questionar, estamos muitas vezes fechando portas para muitas possibilidades e deixando que nossos valores sejam substituídos por valores que não acreditamos.

Acreditar na sua capacidade de entender o que é não e o que é sim na sua vida, faz com que suas escolhas sejam realmente fruto de interpretações, crenças e valores seus. Afinal quem sabe da sua vida é você.

Por isso toda vez que uma criança te ameaçar com um – por que não?, tenha paciência em responder e incentive nela esse desenvolvimento do censo critico, pois o mundo precisa de pessoas assim, que tenham sempre na ponta da língua um – por que não?

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