Folha Regional

O amigo da solidão

O tema da semana será tabagismo. Vocês sabiam que o tabagismo é uma doença? A dependência de nicotina afeta 1,3 bilhões de pessoas no mundo, dessas 5 milhões morrem de doenças relacionadas ao tabagismo. O mais triste são os fumantes passivos, aquelas pessoas que convivem com o fumante, mas que não escolheram desenvolver a dependência. Principalmente as crianças que sofrem com o vício dos familiares. Segundo pesquisas, o Tabagismo passivo aumenta muito o índice das crianças desenvolver qualquer problema respiratório.

Os homens são muito mais atingidos que as mulheres, porém as mulheres apresentam maior dificuldade de parar com o vício, pelo excesso de responsabilidade e múltiplas funções. Começamos avaliando o grau de dependência do fumante, para que assim seja traçado a meta de tratamento. Quanto mais cedo se desenvolve o vicio maior a dificuldade de tratamento.  Infelizmente antigamente as crianças aprendiam fumar cedo acompanhados de seus pais, desenvolvendo dependências mais severas.

A nicotina libera a Dopamina, dando a mesma sensação momentânea de bem-estar das outras drogas. Com o tempo esses receptores ficam mais sensíveis necessitando cada vez mais de uma quantidade maior de nicotina. A maioria das pessoas usam o cigarro para “tampar um vazio“ de algo que não está bem.

Os fumantes na sua maioria, apresentam uma doença de base: Ansiedade, Depressão, Síndrome do pânico, TOC e enxergam no cigarro uma falsa sensação de alivio dos sintomas. E porque não tratar a doença? A partir do momento que tratamos a doença de base o interesse excessivo pelo cigarro diminui. A fase mais difícil do tratamento é mudar o hábito e a rotina, pois o fumante segue a sua rotina com o cigarro desde o momento de despertar. Por isso a terapia psicologia é importante, pois vamos traças juntos alternativas para que sua rotina seja modificada sem a presença do cigarro. Os 5 minutos de intervalo com o cigarro pode ser substituído com uma pausa de relaxamento, o cigarro após as refeições pode ser substituído por um suco gelado e refrescante. Aquela garrafa de café companheira do cigarro será trocada por um chá que diminua a ansiedade e que não favoreça a vontade de fumar.

Muitas pessoas veem no cigarro, o amigo da solidão, o amigo nas festas, o companheiro dos momentos de tristeza. Mas toda essa sensação é ilusória pois se avaliarmos os males causados, enxergamos o quanto estamos fazendo mal para nossa saúde. As pessoas que param de fumar recuperam a disposição, conseguem caminhar, fazer atividade física, sentir cheiro das pessoas, das comidas, recupera o paladar.

Você fumante já pensou o quanto é desagradável abraçar a pessoa que fuma?  Não é fácil largar o vício, mas hoje, já possui medicamentos específicos para auxiliar nesse processo. Os adesivos de nicotina também são muito benéficos quando usados corretamente. Segundo a organização mundial de saúde 80% das pessoas que param de fumar sem ajuda profissional apresentam episódios de recaídas. O mais importante é mudar a sua rotina, a sua alimentação, acrescentar atividade física na sua vida. Procure ajuda de um profissional e ganhe muitos anos de vida para você e sua família. Tire os sabotadores da sua vida: não vou conseguir, vou engordar, minha ansiedade vai aumentar, não vou ter momentos de prazer com meus amigos. Você já calculou quanto você gasta por mês com o cigarro? Agora pense oque você poderia investir esse dinheiro, além da melhora na saúde, olha os benefícios que você poderia ter. Mude os conceitos. Não deixe que suas inseguranças te dominem. Sinta se livre, liberte se do seu vício. Estamos juntos nessa batalha. Mude a sua história, você pode, você consegue! Boa semana.

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Kelin Kinsui

Kelin Kinsui

Drª Kelin Kinsui é Médica Psiquiatra e tem formação em Programação Neurolinguística e Hipnose Clínica.

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