Novas fronteiras da atividade física: Hemodiálise.

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Como Fisioterapeuta, venho defendendo a atividade física como estratégia para aquisição de uma vida mais saudável. E conforme se aprofundam os conhecimentos  sobre os benefícios da aplicação do exercício físico, as fronteiras vão sendo ampliadas, proporcionando avanços em sua aplicação. É o caso da aplicação da atividade física no paciente Renal Crônico.

A Doença Renal Crônica (DRC) é decorrente de lesão e perda progressiva e irreversível da função dos rins, considerada grave problema de saúde pública, por causa das elevadas taxas de morbimortalidades e do impacto negativo sobre a qualidade de vida relacionada à saúde.

A prevalência de DRC aumenta com a idade e aproximadamente 17% dos indivíduos com idade acima de 60 anos apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença sendo que a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus e historia familiar de doença renal crônica são os fatores de risco mais prevalentes para desenvolvimento da  doença renal.

Pacientes com a doença renal crônica apresentam não apenas uma perda progressiva e irreversível da função renal, mas uma complexa síndrome com diversos efeitos nos sistemas cardiovascular, nervoso, respiratório, músculo-esquelético, imunológico e endócrino-metabólico que contribuem para uma diminuição da capacidade funcional, para a baixa tolerância ao exercício e, consequentemente, para a dificuldade de realização das atividades de vida diária.

O tratamento de escolha substitutivo da função renal mais utilizado é a Hemodiálise (HD), um procedimento no qual o sangue é removido do corpo e circulado através de um aparelho externo denominado dialisador.

Apesar de os avanços na Hemodiálise terem melhorado a sobrevida dos pacientes, tal tratamento, isoladamente, não garante a preservação da qualidade de vida dos mesmos. O exercício físico tem sido bem reconhecido como uma intervenção terapêutica que pode melhorar as alterações fisiológicas, psicológicas e funcionais dos pacientes durante e após as sessões de hemodiálise.

A fisioterapia está incluído neste componente do tratamento, principalmente com base em programas específicos de exercício físico supervisionado, com objetivo de aumentar nível de aptidão física.

Além das vantagens habituais, a realização de exercícios durante as sessões de Hemodiálise traz vantagens adicionais como redução da monotonia do processo de diálise e facilidade de acompanhamento dos profissionais de saúde.

A fisioterapia atua na doença renal crônica, por meio de um programa de atividades físicas, composto por exercícios aeróbios que podem reduzir a pressão arterial e câimbras, que ocorrem durante a terapia renal substitutiva, além de facilitar a eliminação de fluídos e elementos tóxicos do sangue.

A aplicação de um programa supervisionado de treinamento aeróbico se associou à melhora da capacidade funcional, do controle da hipertensão arterial e do quadro de anemia.

Estudos evidenciaram que o exercício físico nesses pacientes pode melhorar as desordens musculares, obtendo melhora na força de membros inferiores. Pode-se afirmar a importância dos exercícios de fortalecimento para minimizar essa perda de massa muscular, além de promover a força necessária para que o indivíduo exerça suas atividades de vida diária com menor esforço.

Programas de treinamento de resistência e aeróbico devem ser iniciados em baixa intensidade e com uma progressão lenta de acordo com a tolerância do paciente.

O treinamento físico deve ser considerado como uma modalidade terapêutica importante, sendo fundamental a inserção do fisioterapeuta nos centros dialíticos, fazendo parte de uma equipe multidisciplinar.

As fronteiras estão abertas para serem avançadas e o espírito de descobertas clinicas e científicas nos impulsionam para beneficiar pessoas a serem mais saudáveis e com melhor qualidade de vida.

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