Folha Regional

Minha definição de empatia

Antes de começar a escrever sobre qualquer coisa, percebi que meus últimos textos têm retratado o momento que tenho estado. Por um minuto me senti mal por isso, pois me propus a escrever para todos e não para mim, mas logo depois lembrei do meu primeiro texto para o jornal, em que eu dizia que faria desse espaço um diário dos meus pensamentos.

Não sou uma escritora, sou apenas alguém apaixonada pelas palavras e que usa delas para organizar seus pensamentos e acalmar seu coração. Só escrevo o que de fato vivo ou sinto e dessa maneira pretendo tocar as pessoas.

Dito isso, vamos ao que interessa. Uma palavra tem ecoado em minha cabeça esses dias, ecoado tão forte que chega a me incomodar. Empatia! É uma palavra que está na moda e eu já encontrei diversas definições para ela, mas eu queria achar uma definição que fosse minha, para quando alguém me perguntasse – Bianca, o que é empatia? Eu soubesse responder com propriedade.

Nessa minha busca quase que enlouquecedora por essa definição, me lembrei de um colega de trabalho. Há 5 anos atrás eu ingressava em um trabalho totalmente novo para mim, eu era nova e pouco sabia dali, na verdade eu não sabia nada. Todos os colegas estavam empenhados em me ajudar e eu empenhada a aprender, mas um homem em especial marcou minha história.

Todas as vezes em que eu pedia sua ajuda ele estava pronto para me ajudar, não consigo lembrar uma só vez que ele tenha me negado auxílio ou mostrado má vontade, mas ainda não é sobre isso que venho falar.

Ele era de meia idade, um pai dedicado e um marido amoroso, era atencioso com todo mundo e nunca o vi reclamar de nada, mas ainda não é sobre isso que venho falar.

Foi uma atitude que me marcou para sempre. Todas as vezes que ele se dirigia a mim, ele se abaixava ou ajoelhava no chão. Um ato que pode passar despercebido para qualquer pessoa comum, mas não para uma cadeirante. Apesar de fazer parte dos protocolos de “como tratar um cadeirante”, se abaixar para conversar comigo é uma atitude que me toca demais, principalmente vindo daquele colega. Ele fazia aquilo institivamente, sem nem pensar em outra maneira, ele não puxava uma cadeira, não se preocupava com a dor nas costas, ele apenas se colocava ao meu lado e se abaixava.

Ele não sabe, mas me ensinou muito, não só as coisas do trabalho. Ele me ensinou a verdadeira definição de empatia. Se colocar no lugar do outro não deve ser um esforço, não deve ser uma meta ou uma tarefa, deve ser simples como a atitude de se abaixar para olhar nos olhos de alguém.

Passado 5 anos, se alguém me perguntar -Bianca, o que é empatia? Vou sempre lembrar daquele colega e responder -Empatia para mim é quando alguém se abaixa para conversar comigo.

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