Melhores humanos!

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“Vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois. Pra melhor juntar as nossas forças, é só repartir melhor o pão. Recriar o paraíso agora, para merecer quem vem depois”. (Sal da Terra – Beto Guedes)

Nos tornamos humanos quando perdoamos? Nos tornamos humanos quando construímos? Ou nos tornamos humanos quando amamos?

Vejo que a característica marcante do ser humano é nossa capacidade de linguagem, unida à socialização, mas também pela capacidade de interpretação, reflexão e de falar a respeito de nossas experiências.

Contudo, se essa capacidade não for compartilhada, desenvolvida socialmente, estará em nós apenas como potencialidade e não como realizações. Frustrante, não!

A natureza particular de nossa autonomia reside precisamente na história de nossas relações recíprocas, principalmente para compreender o mundo que nos cerca e colaborar para que ele seja melhor.

Nos tornamos humanos quando percebemos que não vivemos sozinhos e de que dependemos de outros para nos alimentar, vestir, trabalhar e conduzir nossa existência.

Historicamente, assim como outros animais que vivem agrupados, os seres humanos só conseguiram sobreviver nas difíceis condições do mundo que os cercava porque contaram com o apoio e a solidariedade do grupo a que pertenciam.

A tendência do ser humano a viver em grupo pode ser comprovada de forma positiva pela experiência cotidiana: seja na escola, na Igreja, na família ou no país, fazemos parte de um conjunto mais amplo de pessoas, de um grupo social, ligado a um conjunto ainda maior, a sociedade em que vivemos.

Mas para tanto, precisamos ser empáticos, pois conseguimos enxergar as necessidades alheias e podemos colaborar com suas dificuldades, ou seja, nos tornando altruístas.

Jesus Cristo é claro sobre o maior mandamento a ser seguido pelo ser humano: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39), nos norteando sobre a condição de humanos no amar ao próximo e praticarmos essa capacidade de amar.

O mais nobre nos humanos, sem conflitos internos, é quando servimos e nos tornamos úteis para humanidade que nos cerca.

A empatia e o altruísmo é cultural em nossa sociedade. Como a cultura é um todo, muito mais do que crenças, é somado a valores pessoais, regras e costumes que identificam nossas manifestações de amor que vão desde as artes, até o servir ao próximo.

Nos tornamos humanos quando somos úteis e privilegiados em sermos usados na transformação social.

No livro de Tiago, também chamado de Tiago, o Justo, o qual acredita-se ter sido o irmão de Jesus Cristo, destaca que as boas ações (boas obras) fluirão naturalmente daqueles que estão cheios de amor e fé. No capítulo 2, verso 17, Tiago orienta que “a fé, por si só, se não for acompanhada de obras (ações altruístas), está morta.”

Santo Agostinho, numa interpretação profética sobre as angústias humanas do porvir, escreveu que o ser humano atual, “perdido pelos apelos deste mundo, torna-se incapaz de reconhecer sua verdadeira natureza, expondo que “a deficiência do homem está no coração, não nos membros.”

Independentemente de sua crença, ou daquilo que te conforta espiritualmente, somos humanos interligados em nossas práticas e relacionamentos que nos fazem melhores, completos e positivos em estima e determinação coletiva. O solitário peca por egoísmo, avareza e isolamento.

Deus faz raiar o sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos, mas o que nos torna melhores humanos é nossa capacidade de servir.

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