Folha Regional

Fibromialgia

Queridos leitores, hoje vamos falar sobre Fibromialgia. Uma síndrome clínica que se manifesta com dor em vários pontos do corpo. Essa dor pode desencadear em mais de 10 pontos e está associada ao cansaço, insônia, angústia, grande sensibilidade ao toque e a compressão da musculatura.

Muitos pacientes não toleram nem a sensibilidade de um abraço. Como é triste a vida de uma pessoa que apresenta dor de forte intensidade no corpo todo, 24 horas por dia. É muito difícil pensarmos dá possibilidade em viver bem, sentindo dor o dia todo.

Essa doença crônica afeta muito mais mulheres do que homens e, a faixa etária mais comum vai dos 30 aos 60 anos, porém pode surgir em qualquer idade. É uma doença de difícil diagnóstico, porque não existe um exame específico, sendo totalmente clínico, além de depender da experiência do profissional médico em identificar a possível causa.

Para investigação, o paciente realiza uma bateria de exames com objetivo em excluir outras doenças. Normalmente o paciente procura ajuda profissional por outros problemas de saúde e com a exclusão de possíveis doenças, chegamos enfim, na Fibromialgia.

É muito frustrante para o paciente saber que não possui um exame específico para descobrir a doença. Após realizar todos os resultados se apresentam todos normais, mas a dor ainda está lá.

“É uma dor que só eu sei, que só eu sinto“

Mas como isso pode acontecer?

Porque infelizmente não existe raio-x da alma e não existem exames que contabilizam as nossas emoções. É uma doença crônica de fator emocional importante. A causa ainda é muito obscura, mas podemos afirmar que fatores genéticos, hormonais e psicológicos estão associados. Existem estudos recentes que mostram que traumas psicológicos como: perda de um ente querido, separação, doença grave em família, podem desencadear a Fibromialgia.

O perfil do paciente frequentemente é de uma pessoa extremamente sensível com dificuldade em lidar com as mudanças, problemas diários e que apresentam muita dificuldade de expressar mágoas, frustrações e, com isso, acabam refletindo em órgãos do nosso corpo, manifestando na maior parte dos casos, em forma de dor. Além da dor, tristeza, insônia, sono não reparador e indisposição.

Como pode apresentar vitalidade diante de todas essas sintomatologias? É uma doença com controle da dor e sintomas. Já que hoje a medicina disponibiliza medicamentos de ação antidepressiva com controle da dor associado.

Terapias alternativas tem um fator muito importante no controle. A atividade física é fundamental, principalmente aeróbica, para fortalecimento da musculatura como um todo. Exercícios como: alongamento, caminhada, hidroginástica e natação são muito eficazes. A água tem ação analgésica importante associada ao relaxamento.

A acupuntura tem mostrado ótimos resultados aliviando os sintomas. O mais importante é a mudança no estilo de vida: na terapia psicológica, o paciente vai trabalhar controle e fortalecimento emocional, trabalhando limitações e frustrações, fazendo com que o paciente tenha maior qualidade de vida.  

Não tenho a pretensão que do dia para noite o paciente deixe de ser sedentário e vire um atleta, mesmo porque os pacientes apresentam: indisposição e dor significativa. E é ai que entra a necessidade do tratamento com medicamentos. Podemos começar a mudança devagar, um dia de cada vez, 20 minutos diária e ir aumentando gradualmente.

Podemos juntos descobrir suas afinidades e qual atividade melhor se adaptaria para que sinta prazer em praticar e não apenas por obrigação.

Que tem essa doença sofre muito preconceito, muitas vezes até entre os familiares, por conta das dores diárias que não apresentam em exames e com pouca melhora analgésica, acabam por apresentar alteração de humor, pessimismo e irritação. Além de existem perguntas que fazem parte do cotidiano, como: você não melhorou ainda? Nossa mais mesmo com medicação analgésica? Não seria coisa da sua cabeça?

A doença tem fator emocional sim, mas a dor está presente. Não podemos julgar a dor do outro, apenas respeitar. Ninguém gosta de sentir dor. Quando os pacientes fibromialgiálgicos chegam ao consultório para retorno, em sua grande maioria, relatam não apresentam melhora, pois é muito difícil sair do ciclo vicioso.

Ao decorrer da consulta percebemos que o paciente se apresenta mais calmo, disposto, com melhora do sono e disposição. Devido a grande frustração de tratamentos anteriores para a dor, o paciente não consegue enxergar luz no fim do túnel. Não adianta tratarmos a dor sem mexer na causa do problema. A causa está ai dentro de você e temos que trabalhar essa dor juntos. A dor que não alivia com analgésico. O tratamento é multidisciplinar com acompanhamento de: ortopedista, reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e psiquiatra.

Mude seu estilo de vida, a cura está dentro de você!

Boa semana!

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Kelin Kinsui

Kelin Kinsui

Drª Kelin Kinsui é Médica Psiquiatra e tem formação em Programação Neurolinguística e Hipnose Clínica.

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