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Bianca Waideman

Existe vida off-line?

Ontem fui em uma palestra sobre assuntos que gosto de estudar e queria ter um tempo para mim, então tive a difícil decisão de desligar o celular. Eu queria estar presente de verdade naquele momento e com a tela acendendo e cada vez uma nova notificação, definitivamente não dava. Mas isso me ocasionou um desconforto tão grande que me colocou a pensar.

Meu trabalho exige que eu fique on-line praticamente 24 horas e eu me acostumei com isso, se você me chamar agora no WhatsApp dificilmente demorarei mais que 10 minutos para te responder. Se eu demorar é porque estou te ignorando, acredite, ou na melhor das hipóteses, dormindo. Sim, eu vivo com o celular na mão e não me julgue uma viciada por isso, a vida que levo necessita que seja assim.

Mas ando sentindo uma necessidade urgente de estar off-line. Vivo rodeada de pessoas o dia todo, falo com dez, vinte ou mais pessoas no meu dia e tudo isso na frente de uma tela. Escrevo isso hoje, pois sei que não é uma realidade só minha e não tenho uma resposta, uma solução. Escrevo com intenção de provocação, de questionamento.

Como seria sua vida off-line? Será que eu ainda saberia viver sem um celular na mão? Receio muito que a resposta seja não. Tenho muito medo de não sabermos mais viver sem estarmos conectados o tempo todo, de não sabermos ser verdadeiramente redes sociais, grupo de pessoas em contato.

Essa nossa necessidade absurda de expor tudo nas mídias sociais, de postar instantaneamente as coisas que fazemos, faz com que esqueçamos de viver o real. Deixamos de lado coisas simples para viver sempre em função dessa exposição e quantas vezes nos passamos por quem não somos só para estar bem on-line?

E quando falo isso, estou realmente me incluindo, pois eu também sou exatamente assim. Já deixei de aproveitar momentos prazerosos porque estava ocupada demais na minha vida on-line e isso é muito grave!

Precisamos saber dosar as coisas e estar atentos aos riscos de não saber mais viver com os celulares desligados.

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Bianca Waideman

Palavras de uma sonhadora

Sonhar é o que movimenta as nossas vidas. Eu sempre achei que nossos sonhos são o combustível que alimenta nossa vontade de viver, de seguir em frente, de acordar todos os dias com um propósito de vida. São eles os responsáveis por nos manter obstinados a correr atrás de algo.

Você já conheceu alguém que não sonha? Eu não. Todos nós sonhamos com algo, seja com um brinquedo novo quando crianças, seja com a independência quando jovens, seja com uma família quando adultos, seja com o sossego quando idosos. Seja os sonhos mais impossíveis ou os mais fáceis, passamos todos os dias da nossa vida sonhando com algo.

O que mais me encanta é que além de sermos capazes de realizar nossos sonhos, somos capazes de reinventá-los.

Nada na vida é fixo, nem permanente, nos sonhos também não. Nem sempre a não realização de um sonho causa frustação, às vezes uma mudança de rota em nossas vidas nos permite reavaliar um sonho antigo e transformá-lo em algo maior.

Em 26 anos, nunca encontrei alguém que desistiu de sonhar, por mais difícil que seja realizar nossos sonhos num mundo tão cruel. Sonhamos com dias melhores, com pessoas melhores, com um futuro melhor, e como diz o ditado “sonhar não paga nada!”.

Sonhar eleva a nossa alma, nos conecta com a nossa essência e com nosso eu maior. Quando mentalizamos algo, ativamos no nosso campo de memória todas as nossas habilidades necessárias para tornar aquilo real. Se podemos sonhar, podemos realizar!

Por mais que no caminho aparecerão fatos que nos desanimem de sonhar, pessoas que nos dirão que sonhar é perda de tempo, não desanime. Deixe com o outro o que é do outro e sonhe! Sonhe alto, tenha sonhos grandes e lute todos os dias da sua vida por eles.

Eu posso te garantir, com histórias reais, que somos capazes de realizar tudo que sonhamos, nem sempre da maneira como sonhamos, mas da maneira que o universo sonhou para nós.

“Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.” Victor Hugo

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Bianca Waideman

Minha definição de empatia

Antes de começar a escrever sobre qualquer coisa, percebi que meus últimos textos têm retratado o momento que tenho estado. Por um minuto me senti mal por isso, pois me propus a escrever para todos e não para mim, mas logo depois lembrei do meu primeiro texto para o jornal, em que eu dizia que faria desse espaço um diário dos meus pensamentos.

Não sou uma escritora, sou apenas alguém apaixonada pelas palavras e que usa delas para organizar seus pensamentos e acalmar seu coração. Só escrevo o que de fato vivo ou sinto e dessa maneira pretendo tocar as pessoas.

Dito isso, vamos ao que interessa. Uma palavra tem ecoado em minha cabeça esses dias, ecoado tão forte que chega a me incomodar. Empatia! É uma palavra que está na moda e eu já encontrei diversas definições para ela, mas eu queria achar uma definição que fosse minha, para quando alguém me perguntasse – Bianca, o que é empatia? Eu soubesse responder com propriedade.

Nessa minha busca quase que enlouquecedora por essa definição, me lembrei de um colega de trabalho. Há 5 anos atrás eu ingressava em um trabalho totalmente novo para mim, eu era nova e pouco sabia dali, na verdade eu não sabia nada. Todos os colegas estavam empenhados em me ajudar e eu empenhada a aprender, mas um homem em especial marcou minha história.

Todas as vezes em que eu pedia sua ajuda ele estava pronto para me ajudar, não consigo lembrar uma só vez que ele tenha me negado auxílio ou mostrado má vontade, mas ainda não é sobre isso que venho falar.

Ele era de meia idade, um pai dedicado e um marido amoroso, era atencioso com todo mundo e nunca o vi reclamar de nada, mas ainda não é sobre isso que venho falar.

Foi uma atitude que me marcou para sempre. Todas as vezes que ele se dirigia a mim, ele se abaixava ou ajoelhava no chão. Um ato que pode passar despercebido para qualquer pessoa comum, mas não para uma cadeirante. Apesar de fazer parte dos protocolos de “como tratar um cadeirante”, se abaixar para conversar comigo é uma atitude que me toca demais, principalmente vindo daquele colega. Ele fazia aquilo institivamente, sem nem pensar em outra maneira, ele não puxava uma cadeira, não se preocupava com a dor nas costas, ele apenas se colocava ao meu lado e se abaixava.

Ele não sabe, mas me ensinou muito, não só as coisas do trabalho. Ele me ensinou a verdadeira definição de empatia. Se colocar no lugar do outro não deve ser um esforço, não deve ser uma meta ou uma tarefa, deve ser simples como a atitude de se abaixar para olhar nos olhos de alguém.

Passado 5 anos, se alguém me perguntar -Bianca, o que é empatia? Vou sempre lembrar daquele colega e responder -Empatia para mim é quando alguém se abaixa para conversar comigo.

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Bianca Waideman

Deixar com o outro o que é do outro

Por esses dias tenho feito um exercício que não anda sendo uma tarefa fácil para mim. Apesar de muito reservada e as vezes até muito realista, guardo dentro de mim um coração muito grande. O problema é que apesar do tamanho, cabem poucas pessoas nele, então aqueles que lá habitam ocupam um espaço imenso e isso faz com que eu sinta demais.

Quando eu amo, eu amo demais, e essa intensidade faz com que as vezes eu me de mal. Eu não acho ruim ser assim, pois sei que dessa maneira qualquer sentimento meu sempre será verdadeiro e por mais que um dia me faça sofrer, por muitas vezes me faz extremamente feliz.

Acontece que sendo assim, eu descobri que muitas vezes esqueço de deixar com o outro o que é do outro e é exatamente esse exercício que estou praticando. Tenho mania de querer cuidar de tudo, proteger aqueles que eu amo, alertar, cuidar, quando eu gosto de alguém eu realmente me sinto responsável por aquela pessoa, como se eu pudesse controlar as atitudes e escolhas dela.

Demorou um tempo para eu perceber que o problema não está em ser intensa demais, mas sim em não deixar com o outro o que é do outro.

Sei que parece mais um desabafo eu escrever isso aqui e não deixa de ser, mas na verdade é um alerta, pois sei que muitos são como eu. Não aceitamos que o outro pode não sentir como a gente, não aceitamos que o outro pense diferente, que o outro erre, que o outro siga caminhos diferentes do nosso.

Quando passamos a carregar apenas as nossas escolhas e nossas responsabilidades a vida passa a ficar bem mais leve. Todos nós temos o poder da escolha e do livre arbítrio e dessa maneira cada um escolhe qual caminho seguir, baseado na sua história, sua experiência e seus objetivos. É muito bom encontrar alguém que escolha o mesmo caminho que você, caminhar junto é uma das melhores sensações do mundo. Sempre acreditei que ninguém vai muito longe sozinho. Mas, a partir do momento que alguém decidir mudar a rota, deixe-o ir, a escolha é dele e isso não compete mais a você nem a ninguém, mesmo que você saiba que o outro caminho não leva a lugar nenhum ou é mais difícil e perigo, a escolha do outro é de responsabilidade dele. Pode ser as rotas sigam sempre distintas ou pode ser que o futuro se encarregue de algum dia cruzar os caminhos de volta e aí você terá o coração e a consciência tranquila de que cada um carrega consigo as suas escolhas e as experiência que resultaram delas e nada mais que isso.

Percorrer nosso caminho nos responsabilizando pelo caminho do outro cansa demais. Levar na bagagem só o que é meu e deixar algumas coisas para trás não tem sido fácil, mas posso dizer com toda certeza que tem me tornado muito mais leve e madura.

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