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Bianca Waideman

Estamos próximos a decolagem de uma reflexão

Essa semana que passou estava prestes a decolar e como de costume a comissária de bordo passava os procedimentos de segurança da aeronave. Perdi as contas de quantas vezes ouvi aquelas instruções durante esse ano, sou capaz até de repetir cada palavra, mas naquele dia uma frase significou algo para mim.

Aquela frase me fez viajar não só sobre as nuvens, mas sobre os meus pensamentos e atitudes. Foi uma espécie de reflexão e balanço de ano novo, com um lindo cenário do céu. A aeromoça dizia “coloque a máscara de oxigênio primeiro em você”, em qualquer outro dia eu talvez nem escutasse o que ela estava dizendo, mas naquele domingo, sem uma explicação natural eu ouvi e me coloquei a pensar.

Por que colocar as máscaras primeiro em mim? Parece óbvio ao imaginar um acidente aéreo, não há como ajudar ninguém se você não estiver protegido. Acontece que isso também se aplica a vida, e eu tinha me esquecido disso.

Não há como eu salvar alguém me deixando morrer. E isso não é egoísmo, é questão de sobrevivência! Assim como no avião passaremos por turbulências, paisagens lindas, rotas tranquilas e outras perigosa, mas se as coisas saírem do nosso controle, a primeira coisa a se fazer é cuidar de você mesmo.

Não há como ser luz para alguém se apagando, não há como oferecer amor ao outro onde não há amor próprio, não há como salvar vidas se você estiver morto.

Cuidar dos outros é uma nobre missão, mas cuidar de nós é antes de tudo obrigação.

Eu sei que muitas vezes por impulso queremos colocar a máscara primeiro naqueles que amamos, queremos salvar aqueles que ocupam o nosso coração e acabamos nos esquecendo da gente. Eu fiz e faço isso por muitas vezes, e parece que cada vez mais, acho que por isso aquele aviso soou tão forte da minha mente.

Precisamos colocar primeiro as máscaras em nós, precisamos estarmos em nossa plenitude para então poder ser o socorro do próximo.

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Bianca Waideman

Palavras de uma sonhadora

Sonhar é o que movimenta as nossas vidas. Eu sempre achei que nossos sonhos são o combustível que alimenta nossa vontade de viver, de seguir em frente, de acordar todos os dias com um propósito de vida. São eles os responsáveis por nos manter obstinados a correr atrás de algo.

Você já conheceu alguém que não sonha? Eu não. Todos nós sonhamos com algo, seja com um brinquedo novo quando crianças, seja com a independência quando jovens, seja com uma família quando adultos, seja com o sossego quando idosos. Seja os sonhos mais impossíveis ou os mais fáceis, passamos todos os dias da nossa vida sonhando com algo.

O que mais me encanta é que além de sermos capazes de realizar nossos sonhos, somos capazes de reinventá-los.

Nada na vida é fixo, nem permanente, nos sonhos também não. Nem sempre a não realização de um sonho causa frustação, às vezes uma mudança de rota em nossas vidas nos permite reavaliar um sonho antigo e transformá-lo em algo maior.

Em 26 anos, nunca encontrei alguém que desistiu de sonhar, por mais difícil que seja realizar nossos sonhos num mundo tão cruel. Sonhamos com dias melhores, com pessoas melhores, com um futuro melhor, e como diz o ditado “sonhar não paga nada!”.

Sonhar eleva a nossa alma, nos conecta com a nossa essência e com nosso eu maior. Quando mentalizamos algo, ativamos no nosso campo de memória todas as nossas habilidades necessárias para tornar aquilo real. Se podemos sonhar, podemos realizar!

Por mais que no caminho aparecerão fatos que nos desanimem de sonhar, pessoas que nos dirão que sonhar é perda de tempo, não desanime. Deixe com o outro o que é do outro e sonhe! Sonhe alto, tenha sonhos grandes e lute todos os dias da sua vida por eles.

Eu posso te garantir, com histórias reais, que somos capazes de realizar tudo que sonhamos, nem sempre da maneira como sonhamos, mas da maneira que o universo sonhou para nós.

“Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã.” Victor Hugo

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Bianca Waideman

Minha definição de empatia

Antes de começar a escrever sobre qualquer coisa, percebi que meus últimos textos têm retratado o momento que tenho estado. Por um minuto me senti mal por isso, pois me propus a escrever para todos e não para mim, mas logo depois lembrei do meu primeiro texto para o jornal, em que eu dizia que faria desse espaço um diário dos meus pensamentos.

Não sou uma escritora, sou apenas alguém apaixonada pelas palavras e que usa delas para organizar seus pensamentos e acalmar seu coração. Só escrevo o que de fato vivo ou sinto e dessa maneira pretendo tocar as pessoas.

Dito isso, vamos ao que interessa. Uma palavra tem ecoado em minha cabeça esses dias, ecoado tão forte que chega a me incomodar. Empatia! É uma palavra que está na moda e eu já encontrei diversas definições para ela, mas eu queria achar uma definição que fosse minha, para quando alguém me perguntasse – Bianca, o que é empatia? Eu soubesse responder com propriedade.

Nessa minha busca quase que enlouquecedora por essa definição, me lembrei de um colega de trabalho. Há 5 anos atrás eu ingressava em um trabalho totalmente novo para mim, eu era nova e pouco sabia dali, na verdade eu não sabia nada. Todos os colegas estavam empenhados em me ajudar e eu empenhada a aprender, mas um homem em especial marcou minha história.

Todas as vezes em que eu pedia sua ajuda ele estava pronto para me ajudar, não consigo lembrar uma só vez que ele tenha me negado auxílio ou mostrado má vontade, mas ainda não é sobre isso que venho falar.

Ele era de meia idade, um pai dedicado e um marido amoroso, era atencioso com todo mundo e nunca o vi reclamar de nada, mas ainda não é sobre isso que venho falar.

Foi uma atitude que me marcou para sempre. Todas as vezes que ele se dirigia a mim, ele se abaixava ou ajoelhava no chão. Um ato que pode passar despercebido para qualquer pessoa comum, mas não para uma cadeirante. Apesar de fazer parte dos protocolos de “como tratar um cadeirante”, se abaixar para conversar comigo é uma atitude que me toca demais, principalmente vindo daquele colega. Ele fazia aquilo institivamente, sem nem pensar em outra maneira, ele não puxava uma cadeira, não se preocupava com a dor nas costas, ele apenas se colocava ao meu lado e se abaixava.

Ele não sabe, mas me ensinou muito, não só as coisas do trabalho. Ele me ensinou a verdadeira definição de empatia. Se colocar no lugar do outro não deve ser um esforço, não deve ser uma meta ou uma tarefa, deve ser simples como a atitude de se abaixar para olhar nos olhos de alguém.

Passado 5 anos, se alguém me perguntar -Bianca, o que é empatia? Vou sempre lembrar daquele colega e responder -Empatia para mim é quando alguém se abaixa para conversar comigo.

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Bianca Waideman

Deixar com o outro o que é do outro

Por esses dias tenho feito um exercício que não anda sendo uma tarefa fácil para mim. Apesar de muito reservada e as vezes até muito realista, guardo dentro de mim um coração muito grande. O problema é que apesar do tamanho, cabem poucas pessoas nele, então aqueles que lá habitam ocupam um espaço imenso e isso faz com que eu sinta demais.

Quando eu amo, eu amo demais, e essa intensidade faz com que as vezes eu me de mal. Eu não acho ruim ser assim, pois sei que dessa maneira qualquer sentimento meu sempre será verdadeiro e por mais que um dia me faça sofrer, por muitas vezes me faz extremamente feliz.

Acontece que sendo assim, eu descobri que muitas vezes esqueço de deixar com o outro o que é do outro e é exatamente esse exercício que estou praticando. Tenho mania de querer cuidar de tudo, proteger aqueles que eu amo, alertar, cuidar, quando eu gosto de alguém eu realmente me sinto responsável por aquela pessoa, como se eu pudesse controlar as atitudes e escolhas dela.

Demorou um tempo para eu perceber que o problema não está em ser intensa demais, mas sim em não deixar com o outro o que é do outro.

Sei que parece mais um desabafo eu escrever isso aqui e não deixa de ser, mas na verdade é um alerta, pois sei que muitos são como eu. Não aceitamos que o outro pode não sentir como a gente, não aceitamos que o outro pense diferente, que o outro erre, que o outro siga caminhos diferentes do nosso.

Quando passamos a carregar apenas as nossas escolhas e nossas responsabilidades a vida passa a ficar bem mais leve. Todos nós temos o poder da escolha e do livre arbítrio e dessa maneira cada um escolhe qual caminho seguir, baseado na sua história, sua experiência e seus objetivos. É muito bom encontrar alguém que escolha o mesmo caminho que você, caminhar junto é uma das melhores sensações do mundo. Sempre acreditei que ninguém vai muito longe sozinho. Mas, a partir do momento que alguém decidir mudar a rota, deixe-o ir, a escolha é dele e isso não compete mais a você nem a ninguém, mesmo que você saiba que o outro caminho não leva a lugar nenhum ou é mais difícil e perigo, a escolha do outro é de responsabilidade dele. Pode ser as rotas sigam sempre distintas ou pode ser que o futuro se encarregue de algum dia cruzar os caminhos de volta e aí você terá o coração e a consciência tranquila de que cada um carrega consigo as suas escolhas e as experiência que resultaram delas e nada mais que isso.

Percorrer nosso caminho nos responsabilizando pelo caminho do outro cansa demais. Levar na bagagem só o que é meu e deixar algumas coisas para trás não tem sido fácil, mas posso dizer com toda certeza que tem me tornado muito mais leve e madura.

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