A dor na terceira idade

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DOR – Experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada à lesão real ou potencial dos tecidos. Cada indivíduo aprende a utilizar esse termo através das suas experiências anteriores. IASPInternational Association for the Study of Pain

“A dor continua sendo uma das grandes preocupações da Humanidade. Desde os primórdios do ser humano, conforme sugerem alguns registros gráficos da pré-história. A expressão da dor varia não somente de um indivíduo para outro, mas também de acordo com as diferentes culturas”…

A ocorrência de dor, especialmente crônica, é crescente, talvez em decorrência de:
– novos hábitos de vida;
– maior longevidade do indivíduo;
– prolongamento de sobrevida dos doentes com afecções clínicas naturalmente fatais;
– modificações do ambiente em que vivemos; e provavelmente, do reconhecimento de novos quadros dolorosos e da aplicação de novos conceitos que traduzam seu significado.
“Além de gerar estresses físicos e emocionais para os doentes e para os seus cuidadores, a dor é razão de fardo econômico e social para a sociedade”.

O envelhecimento é um processo caracterizado por diversas transformações nos âmbitos biológico, psicológico e social do ser humano. Tais mudanças refletem diretamente na forma com que o idoso irá enfrentar adaptar e suprir as suas novas necessidades decorrentes da idade. Quando a doença e a dor acometem o idoso, deve-se levar em consideração que o processo de envelhecimento suscita alterações fisiológicas no corpo humano e qualidade de vida deste idoso.

Todas as pessoas e profissionais de saúde próximos a um paciente idoso com dor devem se envolver com a sua dor e saber contemplá-la em todos os seus aspectos. Para tanto, é indispensável escutar o idoso em situação de dor e buscar alternativas para amenizar seu sofrimento e proporcionar meios para que exista o direito de se viver com dignidade.

Ao penetrar no cotidiano dos idosos, constatou-se que a dor também fez com que eles vivenciassem situações específicas, que os tornavam reféns de suas facetas, alterando suas necessidades básicas, como a alimentação. O incômodo da dor durante o sono, que repercutia em seu descanso e conforto, a dificuldade de interação com outras pessoas, fazendo com que as relações sociais e afetivas ficassem prejudicadas, deixando o idoso cada vez mais isolado. Mesmo com a dor causando desânimo e levando o idoso a questionar o sentido de sua vida, por outro lado, existem momentos em que a dor alcança o limite entre o existir e a morte. Para alguns idosos, quando a dor ultrapassava o seu limiar de tolerância, tornava-se insuportável ao ponto de, por meio da fé, pedirem para Deus lhes tirar a própria vida.

Sendo assim estimular o idoso a realizar atividades ou funções que o remete ao seu passado, relembrar situações que lhe traga prazer faz com que amenize essa sintomatologia, que devemos avaliar todos os dias. O quinto sinal vital deve ser sempre valorizado, e devemos buscar sempre situações, estratégias ou medicamentos para ameniza lá ou intervir.

A natureza dos cuidados do idoso com dor exige um tipo de acompanhamento delicado, feito por uma equipe multiprofissional, que saiba identificar tais variações e que tenha oportunidade de proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente, objetivando uma diminuição do sofrimento.

Terapias como acupuntura, massagem corporal, reflexologia, reiki, atividades manuais, ou até mesmo o estimulo a atividade física e de leitura faz com que o idoso tenha a diminuição do relato de dor.

Estudos revelam que nos idosos a dor é um dos principais sintomas das doenças. Pesquisa com 537 idosos da comunidade com mais de 77 anos encontraram 72,8% com alguma queixa dolorosa. Em outro estudo, dos 205 idosos vinculados a uma associação social e recreativa, 69,75% tiveram alguma queixa de dor, a participação na orientação terapêutica e o emprego de outras modalidades de intervenção, que vão além das técnicas farmacológicas, como, por exemplo, a utilização de terapias físicas as quais, por meio da ativação do sistema sensitivo discriminativo, estimulam o sistema supressor da dor, e técnicas cognitivo-comportamentais que visem promover o relaxamento muscular.
Hoje muito se estuda sobre as intervenções não-farmacológicas, as chamadas terapias alternativas, com objetivo de empregá-las de forma complementar aos medicamentos para diminuir a dor com bons resultados.

A combinação de intervenções não farmacológicas e farmacológicas proporcionam melhor controle da dor, com menor consumo de analgésicos, redução da incidência de ansiedade e depressão, aumento da atividade e maior comprometimento da família com os cuidados.

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