Consumismo e felicidade plena – uma faca de dois gumes

Larissa Lenarduzzi
larissa.lenarduzzi@folhar.com.br

As festas de fim de ano despertam os sentimentos de felicidade e a vontade de que no próximo ano tudo que não foi conquistado por algum motivo, no ano presente, se torne realidade.
O desejo de compartilhar coisas boas com os amigos e com a família é quase que unanimidade em todos os cantos do Mundo.
Apesar de todos os sentimentos bons, trazidos pela noite natalina e pelo ano que chega, algumas pessoas sentem frustração e nostalgia nesse período.
Segundo especialistas, Dezembro é uma época que, historicamente, dá carta branca para que todos demonstrem o que estão sentindo e por isso, algumas sensações e emoções vêm à tona, e, independente das crenças, nos deixam mais frágeis e sensíveis a escutar o próximo e a nós mesmos.
É nessa hora que é preciso cuidar para que não caia no conto do consumo exagerado. As empresas, já tendo pesquisado e sabendo dessa fragilidade humana em sentir-se mais sentimental no fim do ano, busca relacionar as boas energias e emoções ao ato de consumir exageradamente; e é aí que mora o perigo – quem não consegue distanciar o verdadeiro sentido das festas natalinas, acaba deixando-se levar por belos jingles e imagens de felicidade, criados e pensados, exatamente, para atingi-lo no calcanhar de Aquiles (o ponto mais fraco).
Quem não se lembra do grande caminhão vermelho que passa por algumas cidades, cheios de luzinhas coloridas, ursos polares e um bom velhinho feliz em brindar com todos na rua, o melhor momento que a bebida mais conhecida mundialmente pode proporcionar?
A comercialização da noite de paz, noite de amor e noite de celebração tem confundido a muitos. Na 25 de Março, rua de comércio mais popular na cidade de São Paulo, é preciso, nessa época do ano, esperar horas para entrar em uma loja de enfeites ou de presentes.
Curioso é que, nessa época do ano, em que deveríamos encontrar a paz de espírito, queremos preencher comprando mais e mais. É nessa época também, que há o maior “boom” no comércio de todo o país. As vendas que, durante o meio do ano estiveram estagnadas, no final do ano rendem boas cifras para o comerciante.
O consumismo é o maior vilão para que as pessoas não encontrem o verdadeiro significado do Natal, pois os sentimentos ficam diretamente ligados às compras, e como a vontade de gastar torna-se incontrolável, devido ao marketing agressivo, sentimento de frustração ao não consumir um produto específico, torna-se comum.
A procura pela felicidade plena, infelizmente, segundo Gylles Lipovetsky, autor do livro “A Cultura do Consumo e do Luxo”, aponta diretamente ao consumismo, e esse, por sua vez, é uma das maiores causas do individualismo e na hiperindividualização do homem na sociedade.
Os cartões de crédito, os enfeites exagerados, as vitrines recheadas de brilhos, encantos e movimentos delicados certamente não trarão felicidade plena ao fim de mais um ano. O sentimento que deve permanecer é aquele histórico – de amor ao próximo, de respeito, de união familiar e paz.
Para cultivar isso, basta fazer o bem e manter-se em paz com as ações e tentando melhorar a cada novo ano, nos 365 dias do ano… o resto? O resto é conversa, dividida em 12 vezes, com juros!

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