Colunistas Luisa Comar

Setembro amarelo e a prevenção ao suicídio

Nós precisamos falar sobre isso

Com o objetivo de falar abertamente sobre doenças e outras questões sociais, foram criadas campanhas nacionais de conscientização. Exemplos famosos são o agosto lilás (contra a violência doméstica), o outubro rosa (contra o câncer de mama) e o novembro azul (contra o câncer de próstata).

 Temos ainda o setembro amarelo (contra o suicídio), o texto de hoje busca ajudar nessa conscientização, falando sobre esse tema, que por ser tão indigesto, acaba por não ser debatido com a importância e a frequência que deveria. Não temos o intuito de esgotar o assunto, tratasse de um tema delicado e complexo, a nossa ideia é abordar ângulos diversos, mas que possam auxiliar na reflexão de cada leitor e que permitam quebrar os estigmas e preconceitos envolvidos na questão.

Dois grupos de pessoas.

Em primeiro lugar precisamos entender que temos dois grupos de pessoas que buscam essa saída, aquele composto por pessoas que querem de fato morrer e aquele composto por pessoas que querem sair de uma situação de dor e sofrimento, e que não sabem como o fazer, para esse grupo, o que chama a atenção não é a ideia da morte, mas a ideia de acabar com a situação que está sendo vivenciada. É comum, que pessoas que sobrevivam a tentativa de suicídio relatem que se arrependeram na hora do ato, ou ainda relatem que estão felizes que a tentativa tenha sido frustrada, por agora terem clareza de que não queriam a morte, mas somente uma solução para o que estava sendo vivido.

Não é sobre ser fraco, mas sobre estar desesperado.

Em nenhum caso, sob nenhuma hipótese, temos o direito de achar que a pessoa em questão está fazendo graça, ou querendo chamar a atenção. O suicídio não é sobre ser fraco, mas sobre estar desesperado.

Autoconhecimento e auto aceitação em uma sociedade que cobra alegria e felicidade.

Quem chega a esse extremo, na esmagadora maioria das vezes, já demonstrou muitos outros comportamentos de tristeza, desanimo, desilusão etc. São pessoas que podem não estar conseguindo se conectar consigo mesmas, de modo a não conseguirem encontrar os mecanismos necessários para melhorar. Em uma sociedade como a que vivemos, que cobra #felicidade e #gratidão o tempo todo, admitir que se tem um problema, sofrer publicamente por alguma frustração e falar abertamente sobre tudo isso quase é considerado crime. Isso faz com que muitos sofram em silêncio ou que nem ao menos saibam que estão sofrendo, a pessoa simplesmente se sente cansada o tempo todo, por exemplo. O que não quer dizer que o problema não estava lá o tempo todo, ele estava sim, crescendo e ganhando força. O processo de autoconhecimento é um caminho difícil, uma jornada assustadora para a qual precisamos de paciência e tolerância, nem todos estão preparados para se oferecer isso.

Doenças mentais e outros fatores.

Dados da OMS indicam que 90 % das pessoas que se mataram tinham alguma doença mental, isso não quer dizer que todo mundo que tem alguma doença mental irá praticar/tentar o suicídio, mas nos mostra que quadros clínicos dessa natureza servem para que uma luz vermelha seja acionada. Nesse contexto, a depressão ganha destaque estando presente em cerca de 30% dos casos. Fatores econômicos, sociais, culturais, religiosos e genéticos precisam ser levados em consideração, pois influenciam a ação do indivíduo e o modo como ele lida com o tema.

Suicídio no Direito Brasileiro.

Art. 122 – Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único – A pena é duplicada:

Aumento de pena

– se o crime é praticado por motivo egoístico;

II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

Infanticídio

 

Centro de Valorização da Vida (CVV).

Criado em 1962 na cidade de São Paulo, o Centro de Valorização da Vida logo se expandiu pelo país. O programa tem a intenção de propiciar um ambiente acolhedor e seguro para quem deseja conversar sobre os problemas que está enfrentando e sobre os meios de resolvê-los. A conversa pode ser por chat, ligação, e-mail e pessoalmente em algumas cidades.  

O endereço para contato na internet é: https://www.cvv.org.br/ .

O número para ligação é 188.

A importância do diálogo.

Se você conhece alguém que pode estar passando por uma situação difícil, não deixe de conversar e demonstrar que se importa. O amor, o diálogo franco e o respeito são armas poderosas na prevenção do suicídio. A responsabilidade sobre o ato é somente de quem o pratica, mas a responsabilidade por acolher ao outro nas dificuldades do cotidiano, com gentileza e carinho é de todos nós.

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