Colunistas Dra. Kelin Kinsui

Mudança de gênero

Dra. Kelin Kinsui

Olá, queridos leitores, o tema a seguir é de extrema importância. Vou iniciar diferenciando o homossexualismo de transexualismo. O homossexualismo são pessoas que apresentam orientação sexual pelo mesmo sexo, que identificam com o sexo do nascimento e não apresentam desejo em realizar nenhum tipo de alterações físicas no corpo, em contrapartida, o transgênero não se identifica com o sexo do nascimento.

Os transgêneros por volta dos 3 aos 6 anos de idade , começam a manifestar desejo em mudanças do corpo, não se identificam com as características físicas, da vestimenta ou comportamento compatíveis ao sexo do nascimento, trazendo consigo sofrimento significativo.

Devemos respeitar a individualidade de cada um, independente da orientação sexual ou mudança de gênero. Essas pessoas sofrem preconceito e descriminalização desde a infância e merecem ser respeitadas.

Temos que aprender o valor do respeito, das diferenças e principalmente valores internos. E a escola, os educadores, os familiares, profissionais de saúde, tem que estar aptos a trabalhar as diferença na cabeça das crianças, pois somente assim viveremos em um mundo melhor sem violência.

Fico extremamente triste e indignada quando me deparo com profissionais de saúde ou educador fazendo comentários maldosos sobre a sexualidade das pessoas. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o homossexualismo não é doença, foi retirado do CID 10 desde a década de 80.

Muitas são as teorias e pesquisas, mas até o momento não existe causa esclarecida. A classificação realizada como doença, o sofrimento significativo causado pelo paciente que não se identifica com as características do sexo do nascimento. O tema é tão sério, que o Hospital das clínicas em São Paulo, possui um ambulatório de amparo ao paciente transgênero e seus familiares. Para que desde a infância, o paciente seja acompanhado e que seja avaliado a real necessidade da reposição hormonal, mudanças destinadas ao corpo para aqueles que se enquadrem aos transgêneros.

Muitas vezes, somente o acompanhamento psicológico e emocional já apresenta uma resposta significativa. O mais importante é o acompanhamento ao longo da vida, para que diante das mudanças corporais, hormonais e psicológicas, a criança se sinta amparada e preparada para o impacto no desenvolvimento. E que o corpo consiga se adequar as formas com o sexo compatível. A cirurgia realizada na fase adulta e após um grande acompanhamento médico é de caráter terapêutico, melhorando a qualidade de vida, socialização e vida pessoal. Infelizmente o Brasil é pioneiro em violência homofóbica e nós temos a obrigação de mudar essa cultura, começando a educar nossas crianças.

No período de 2008 a 2013, o Brasil carrega consigo, por volta de 480 assassinados envolvendo a homofobia. Diante de todas essas informações me deparo sempre com a mesma pergunta: Qual o papel do psiquiatra nesse contexto? O papel do psiquiatra é trabalhar todo o sofrimento gerado pelo paciente que possui uma genitália não compatível com o sexo que se identifica. Cada desenvolvimento físico gera desconforto muito grande para o paciente, sem contar o preconceito e discriminação que são um dos maiores causadores de transtornos depressivos graves e altos índices de suicídios.

Nesse tema nos deparamos com conceitos familiares, médicos e religiosos que devem ser respeitados. O mais importante é o bem estar ao próximo. Todos unidos contra a violência, o bullying e a discriminação. Sempre unidos por um mundo melhor.

 

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