Colunistas Dra. Kelin Kinsui

Compulsão Alimentar

Dra. Kelin Kinsui

Queridos leitores, o tema de hoje é a compulsão alimentar. Vamos compreender o que é doença e o que é a famosa “gula”. O transtorno de compulsão alimentar é uma doença que se caracteriza por episódios de ataques alimentares que podem durar em média 40 minutos, sendo no mínimo 1 episódio semanal, onde o paciente pode consumir até 10 mil calorias em um curto espaço de tempo.

É a ”Síndrome do tudo ou nada”, qualquer episódio de compulsão é uma desculpa para abandonar a dieta. O perfil desses pacientes são pessoas muito críticas, que se cobram em excesso, focam nos defeitos e minimizam suas qualidades.

Mais comum em obesos e metade dessa estatística já realizou cirurgia de redução de estômago no passado, sendo a explicação do porque muitos pacientes voltam ao peso original depois de algum tempo de cirurgia.

Antes de qualquer cirurgia temos que mexer na causa do problema. Não adianta passar por um procedimento cirúrgico, sem que o psicológico seja estável. Os pacientes sentem muita vergonha, tristeza, angústia, insegurança, dificuldade de relacionamento, isolamento, chegando a comer escondido para que ninguém presencie a compulsão. O sentimento de culpa é enorme desencadeando muitas outras doenças como a depressão.

O sofrimento é significativo, pois o paciente sente vergonha de consumir toda aquela caloria, mas por outro lado, é uma forma de tampar um vazio afetivo, de preencher suas angústias, frustrações, inseguranças e falta de prazer em alguns setores da nossa vida.

É uma doença que possui tratamento médico. Não podemos banalizar e achar que o paciente é apenas “guloso” e necessita de dieta. Ele precisa de ajuda, está sofrendo muito e não consegue enxergar “luz no fim do túnel”.

Quando você aceita a doença, você tem com desenvolver estrutura emocional suficiente para bloquear esses impulsos. O tratamento é multidisciplinar: com Nutricionista, Psicólogo, médico Psiquiatra e Endócrino. Sempre é traçado um plano de tratamento individualizado, para avaliar a possibilidade de medicação para diminuir cada episódio.

Existem medicações com baixos efeitos colaterais, que tratam a doença de base, diminuem os episódios de compulsão alimentar e auxiliam o emagrecimento, sempre associados a mudanças  no estilo de vida.

Evitar jejum prolongado, o jejum favorece as crises; se alimentar em pequenas porções, nunca realizar as refeições fazendo outra atividade, se concentre na refeição que está fazendo, em cada caloria consumida, beber muita água e procure sempre retirar um alimento que prejudique sua dieta por vez, assim você irá se adaptando devagar.

Nunca frequente o supermercado com fome, selecione todos os alimentos que você vai levar para casa, dificultando o excesso. Evite levar alimentos que você sabe que piora sua compulsão, aprenda a montar sua marmita para o trabalho, dando preferência a alimentos integrais, com muita proteína que darão mais saciedade por mais tempo, diminuindo assim os episódios de compulsão.

Dessa forma você conseguirá seguir sua alimentação de forma mais saudável. O mais importante é entender e avaliar sua relação com a comida. Observar cada episódio de compulsão com cautela. Sempre avaliar o porquê de cada episódio, oque eu estava tentando suprir? A terapia psicológica é muito importante para lidar com esses gatilhos, sempre tentando entender quais são as causas desencadeadoras.

A atividade física é fundamental para diminuir a ansiedade. O mais importante é entender que você precisa de ajuda nesse momento e que existem profissionais qualificados para te auxiliar no seu tratamento. O preconceito ainda atrapalha muito infelizmente.

Mude seu estilo de vida, procure ajuda de um profissional, acrescente a atividade física para sua vida.

Se permita comer uma pizza com os amigos ou algo que você goste, não precisa se recriminar por isso. Tudo é uma questão de equilíbrio!

Você possui internamente artifícios para a mudança! Cada progresso é uma vitória!

Boa semana!!!

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Sobre o Autor

Kelin Kinsui

Kelin Kinsui

Drª Kelin Kinsui é Médica Psiquiatra e tem formação em Programação Neurolinguística e Hipnose Clínica.

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