Birra, de quem é a culpa?

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“Não repara no filho dos outros senão o seu será pior!” Se você nunca ouviu essa frase é porque não presenciou uma criança esticada no chão de uma loja, gritando e chorando como se tivesse levado uma surra. Diante de tal cena as pessoas trocam olhares, cochicham e criticam esse comportamento, julgam a criança e a mãe e se colocam numa posição superior, como se nunca fossem passar por isso.

As mães entenderão sobre o que estou falando, é muito difícil lidar com uma situação que acreditamos estar sob controle. Antes de sair de casa a criança é sabatinada com um discurso interminável… “não faça isso, não fale aquilo, não mexa em nada, não responda aos mais velhos…” Balançam a cabeça para frente e para traz e concordam com cada imposição feita pela mãe. Porém, chegando ao supermercado um impulso vindo de outro planeta incorpora aquele pequeno ser e ele (a) sai pelos corredores gritando e se debatendo feito “cobra mal matada”. A mãe, tentando manter a calma, conversa com a criança, mas ela parece não compreender seu dialeto e segue chorando por todos os setores da loja.

Se na sua casa existem diálogo e atenção na educação dos filhos, então de quem é a culpa das recorrentes e insanas birras? Já sabemos que a criança, desde muito pequena, percebe as fragilidades dos pais, os bebês choram para ganhar colo e leite, gritam para chamar atenção e quando insistem muito, acabam vencendo pelo cansaço. Não importa a idade, a tendência dos filhos é sempre dominar os adultos da casa e às vezes (muitas vezes) conseguem, mas é preciso lembrar que educação requer firmeza, é necessário estar atento, dizer “não” e sustentar a decisão, geralmente contrariando a vontade dos filhos!

Ensinar é um gesto de amor e não está vinculado ao valor do brinquedo que a criança “exige”, mas aos valores éticos que precisam ser incorporados na formação da criança. Sustentar a decisão do “não” pode ser difícil, mas contribui para o raciocínio da criança sobre os limites impostos pelos pais. O diálogo sempre será a melhor opção, em qualquer situação. Não é necessário arrastar pelo braço, jogar dentro do carro e castigar ou bater no filho, o medo não tem o mesmo valor do respeito, o que ele precisa é entender sobre limites, condições e situações, os pais precisam alinhar o discurso e ganhar a confiança pelo respeito e atitude, como por exemplo, prometer e cumprir.

A aproximação entre pais e filhos deve contar com a cumplicidade e respeito dentro da família, quando for preciso intervir na educação, o diálogo deve ser firme, mas sempre com muito amor. Não grite e repita quantas vezes forem necessárias as frases de efeito corretivo como “nós já conversamos sobre isso”, “não é necessário se comportar assim” ou “vamos tentar resolver isso juntos”. É claro que no momento “agudo” da birra nem sempre é tão fácil agir assim, mas persistir é importante e não ceder fará com que ele entenda de quem é a palavra final.

Acredite, a culpa não é sua, as birras não são ensinadas aos filhos, mas elas existem e são como “opcionais de fábrica”, por isso, não se culpe nem julgue seu filho pela birra que ele faz, mas analise suas atitudes diante deste comportamento. Paciência, amor e persistência, esse é o caminho do sucesso para o fim das birras! Lembre-se, se ter filhos foi sua escolha, educá-los é sua obrigação.

Ótima semana a todos!

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