Auxílio-reclusão: justo ou injusto?

Críticas ferozes ao benefício previdenciário chamado “auxílio-reclusão” são corriqueiras, sobretudo na internet, por meio das redes sociais.
Tais críticas normalmente são no sentido de que o governo não se preocupa com as vítimas de crimes, mas somente com o “bandido”, que ao ser preso ainda recebe um alto benefício previdenciário.
As pessoas desfavoráveis ao benefício ainda argumentam: os bandidos são beneficiados com o dinheiro que pagamos por meio de impostos!
E acrescentam: enquanto o trabalhador recebe um salário mínimo, o criminoso recebe quase mil reais de auxílio-reclusão.
Ora, caros leitores, essas informações são equivocadas e distorcidas, sendo defendidas, não raras vezes, por políticos cujos discursos possuem uma única finalidade: ganhar voto!
Primeiramente, é muito importante ressaltar que não são todos os presos que recebem auxílio-reclusão. Aliás, pasmem: apenas 8% dos presos no Brasil recebem este auxílio.
A razão é simples: esse benefício somente é destinado aos contribuintes do INSS, isto é, aos trabalhadores.
É sempre bom lembrar que a Previdência Social é uma espécie de seguro pago por quem deseja ser acobertado por certos riscos sociais, como, por exemplo: ficar idoso ou inválido, morrer, como também ser preso.
Desta forma, quem paga o seguro será beneficiado. Quem não paga (como a maioria dos presos), evidentemente não recebe o auxílio-reclusão.
Portanto, dizer que o valor sai do bolso de nós, trabalhadores, também é um equívoco. Como já informado, quem paga são os próprios contribuintes!
Na mesma esteira, engana-se quem diz que o valor do benefício é de aproximadamente mil reais. Este, na verdade, é o teto máximo. O valor real deverá ser analisado com base no valor de sua contribuição, podendo, portanto, ser bem abaixo deste valor.
Inclusive, este valor deverá ser dividido pelo número de dependentes que possui o preso. Isto porque, não se trata de um benefício concedido ao preso em si, mas sim aos seus dependentes (lembrando sempre que o preso, neste caso, é um trabalhador que contribuiu para a Previdência Social dentro de determinado período).
Desta forma, se é justo ou injusto o auxílio-reclusão, fica a critério de cada cidadão fazer suas próprias considerações. Indiferente de opiniões pessoais, o fato é que seu pagamento dá-se da forma exposta e não como vem sendo amplamente difundida.

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