A arte de se envolver

author
2 minutes, 23 seconds Read

Uma das habilidades que a maturidade me trouxe foi a de saber entender um pouco mais sobre as diversas maneiras de agir e de se expressar do ser humano. Confesso que sempre tive uma vontade de estudar psicologia, pois tenho uma necessidade de entender o outro de maneira mais objetiva. Sempre tive vontade de saber exatamente o que se passava na cabeça de alguém e prever suas ações.

É claro que os caminhos foram outros e acabei virando uma publicitária, vocês sabem. E é certo que na publicidade também encontrei essa necessidade de ir mais a fundo na mente das pessoas. Descobri então, que não precisava necessariamente ser uma psicóloga para isso, era só eu me deixar envolver.

 Vocês já conviveram com alguém que tem medo de gente? Tenho certeza que sim. E era exatamente esse medo que eu não podia me permitir ter para poder suprir essa minha necessidade exagerada de entender o outro. Eu precisava me envolver.

Eu precisava entrar em um laboratório de sentimentos para compreender que não sou capaz de saber exatamente o que o outro sente, mas sou capaz de entender que cada um tem uma singularidade especial. Quando consigo entender o que tem de singular em cada um, consigo de maneira muito mais íntima, me relacionar com o outro e isso é encantador.

Sei que se envolver não é fácil. Sei que corro riscos ao fazer isso. Se envolver às vezes dói, as vezes machuca. Mas se envolver com maturidade é uma experiência inexplicável, que ilumina, que reconstrói, que traz paz.

É sobre saber se envolver e sobre saber reconhecer no outro singularidades que torna esse envolvimento muito mais especial que estou aprendendo nesse laboratório. É sobre enxergar no outro uma possibilidade de me compreender como ser humano. De enxergar no outro a minha própria missão na terra.

Eu descobri que essa ideia de querer saber claramente o que se passa na cabeça das pessoas era imaturidade minha. Porque o legal é exatamente não saber, não saber e se envolver para descobrir. É conhecer o outro, é ser gente que gosta de gente. É saber entender as singularidades de cada um e se apaixonar por elas.

Foi me envolvendo com gente que eu apreendi que sou gente também. Que minhas próprias singularidades me tornaram o que sou hoje e que são elas que permitem que o outro se apaixone por mim. Foi não tendo medo de me entregar por inteiro que eu aprendi quem realmente vale a pena se envolver. E mesmo assim ainda cometo erros. Ainda me envolvo com a pessoa errada, é claro. Você nunca fez isso?

Mas não devemos cair nessa de que se envolver causa damos irreparáveis.

Envolver-se causa na gente uma alegria imensa de ser gente.

Similar Posts

%d bloggers like this: