Aprendiza de Papai Noel

Depois que cresci tive uma dificuldade enorme em desacreditar em Papai Noel. Eu realmente levava essa história a sério e acreditava que era o bom velhinho que trazia meus presentes se eu fosse uma boa menina durante o ano. Isso me motivava a fazer tudo certinho e encantava ainda mais meu Natal.
Até que um dia saímos de viagem na véspera de Natal e minha mãe esqueceu meu presente em casa, na viagem fingindo que eu dormia a ouvi comentar com meu pai que eles teriam que me contar que Papai Noel não existia, que meu presente ficou em casa e que não dava tempo de comprar outro.
Confesso que aquele foi o Natal mais triste que já passei. Não por que meu presente veio atrasado, mas sim por que eu confiava que o bom velhinho jamais me decepcionaria se eu fizesse a minha parte. Depois daquele dia passei a acreditar que ele existe sim, mas que eu já era muito grande para ele gastar seu tempo comigo. Tinham outras crianças que precisavam muito mais.
Anos se passaram e eu nunca deixei de admirar aquele velhinho que passava dias recolhendo pedidos, outros separando e outros entregando tudo só para ver o sorriso no rosto das pessoas.
Dessa vez eu tive a oportunidade de compartilhar essa tarefa com ele. Há 40 dias eu e meu melhor amigo tivemos a ideia de vivenciar um Natal diferente e posso dizer para vocês, com toda a certeza, que foi a primeira vez que eu pude realmente vivenciar o verdadeiro sentido do Natal. Escolhemos um lar de vovós e ajudamos cada uma delas a escrever o seu pedido ao Papai Noel. Vestidos bem bonitos, bonecas, maquiagem, chocolates eram alguns dos milhares de desejos.
E aí começou o nosso desafio, precisávamos garantir todos os pedidos, pois é claro que elas foram boas meninas durante o ano. Para isso contamos com pessoas especiais que doaram os presentes da maneira mais carinhosa possível. Presentes escolhidos com amor, acompanhados de mimos a mais e até cartinhas endereçadas a cada vovó.
Gestos concretos de amor que foram me fazendo entender como o Papai Noel deve se sentir especial com o seu trabalho. Nessa nossa caminhada, passamos por experiências incríveis. Conhecemos pessoas do bem, visitamos casas onde fomos muito bem recebidos. Doações pequenas mas cheias de amor. Doações grandes e cheias de generosidade. Cada detalhe era de se emocionar e a caminhada foi extremamente gratificante!
Como bons aprendizes de Papai Noel, embalamos tudo, enchemos nossos trenós e saímos para a entrega. Fizemos aquela roda em família ao redor da árvore – feito crianças. Cada vovó lembrava exatamente do seu pedido e estavam todas ansiosas para ver se o bom velhinho tinha acertado na escolha. A cada pacote aberto uma reação diferente e uma flechada em meu coração, às vezes até uma lágrima escorria no meu rosto e era de pura felicidade.
Cada sorriso já era um agradecimento sem igual, mas elas faziam questão de agradecer infinitas vezes. Já passaram os batons, experimentaram os vestidos e colocaram as bonecas para ninar.
Foi aí então que entendi que o Papai Noel não deixou de existir e nem de passar na minha casa pelo fato de que eu tinha ficado moça. Mas porque ele tinha me dado uma missão de ser como ele, uma aprendiza de Papai Noel. Me enviou um ajudante e milhares de pessoas que acreditam em mim. E assim me concedeu a oportunidade de passar Natais maravilhosos pelo simples fato de se doar como ele passa todos os anos.

Bianca Waideman, publicitária, especialista em marketing e bancária

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